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Artigo originalmente submetido na WSD mailing-list por Julius:
Just got back from the first Sol Invictus show on the US tour (in San Diego)
Four words regarding the performance:
Great, Brilliant, Fantastic, Memorable.
It was the "full band" with Karl Blake, Sarah Doherty (flute, vocals) and I
assume Matt Howden (violen, vocals) and Eric Roger (drums, trumpet vocals,
keyboard). Matt Howden's violin work was really great. It was at a small
club and was like a private concert for a few friends. I couldn't ask for
any better circumstance to see Sol Invictus. This is one of those
experiences I'll remember for a really long time.
Sol did a pretty long set but it seemed to go by way too fast (because it
was so good.) Off the top of my head and to the best of my recollection the
songs I remember being played were several tracks off of In A Garden Green,
several tracks off The Blade, Amongst the Ruins, Fields, Media, The Fool,
Believe Me, Against the Modern World, A Ship is Burning, Death of the West
and a few other songs I recognized but can't remember the names of this late
at night. There was one encore.
There were some CD's for sale. I'm not sure if any of them were
"concert-only" type of things or not. I picked up the Sol Invictus CD
Trieste - An Acoustic Concert. Also picked up the Eisteddfod compilation
with a track by L'orchestra Noir. It's a limited edition of 828 copies and
comes with a nice (oversized) glossy booklet.
If you have a chance to go see Sol on this tour don't miss it. It was
everything I hoped it would be and more.. and who knows if you will ever get
this opportunity again. I'm not sure what Tony's feeling were about the
night but I hope he realizes how much we appreciated Sol Invictus coming
over.
Artigo originalmente submetido na WSD mailing-list por
Steve S.:
Sol Invictus were next, of coarse. I must say what impressed my most was
the musicianship. Tony makes his intricate guitar playing seem effortless.
Sarah's vocals and flute playing were beautiful (unfortunatley I was off to
the right of the stage most of the time and the flute seemed to go in and
out) Matt is an incredible violin player, although I found his flailing
about a bit of a distraction. Karl was great shuffling around on
different instruments. The set was very similar to the one mentioned before
on this list (don't ask me to remember it) Didn't remember hearing "Death
of the West", unfortunately. "In Heaven" was an unexpected surprise and
highlight for me. I did wish for a little more from the King and Queen / Let
Us Prey era, as this is my favorite Sol stuff. All in all a good night.
Artigo promocional escrito por Luis Filipe Afonso e
José Pacheco:
et
Sol Invictus
«Algures, na Europa...»
«C'est la vision des nombres. Nous
allons à l'Esprit. Cést très-certain, c'est
oracle, ce que je dis. Je comprends, et
ne sachant m'expliquer sans paroles
païennes, je voudrais me taire»
Rimbaud
in «Le Mauvais Sang»
Em Janeiro de 1984 - após oito fulminantes anos
diluídos na grande voragem do punk e da new
wave britânica de idos da segunda leva da década
de 70 [primeiro com o efémero grupo londrino CRISIS,
que, em parceria com Douglas Pearce e Robin 'Cleaner'
Ledger, funda em 1976, seguido pelo cerimonioso
mise-en-scène épico-dramático
denominado DEATH IN JUNE, grupo formado em 1981, ainda
na companhia de Douglas Pearce e do trompetista/percussionista
Patrick Leagas], - Tony Wakeford - Anthony
Charles Wakeford, de seu nome de baptismo, nascido em
Addlestone, Surrey, Inglaterra, em 1959 - quebrava então,
em definitivo o elo da corrente que ainda o agriolhava ao
leviatânico rock britânico - ainda que de
cariz afincadamente experimentalista/avant-garde, como
o praticado pela DEATH IN JUNE entre 1981 e 1984, assente
nas mesmas raízes de fenómenos seus congéneres
como Joy Division ou Psychic TV - deixando
descontente o seu lugar de figura cimeira no projecto DEATH IN
JUNE - com dois albuns de originais gravados, «The
Guilty Have No Pride» (1982) e «Burial»
(1983/84) - e inaugura, meses depois, aquele que se tornaria, desde
o ínicio, no seu projecto musical mais perene e intimamente
conotado com a sua pessoa de compositor, poeta e ideólogo:
o grupo SOL INVICTUS - fundado com a camaradagem do poeta
Ian Read e com a estreita cooperação do
multi-instrumentista Karl North, cujas funções
se dispersariam por colaborações com diversos artistas
da linhagem artística de Wakeford, como o projecto
CURRENT 93 liderado por David Tibet (ex-PSYCHIC
TV) e junto do compositor experimentalista Steven
Stapleton [com quem o próprio Wakeford colaboraria anos
mais tarde naquele que poderá ser qualificado como o seu
trabalho mais extremo (em termos estéticos-sonoros)
até hoje, o album «The Selfish Shellfish»,
de 1992].
O nome SOL INVICTUS - cujo alcance remonta ao culto da
divindade solar Romano-Oriental Mythras, e à
ideia chave, com essa divindade conotada, do culto da Morte
como etapa inadiável da continuidade da Vida - prima,
desde o seu surgimento com o album de estreia de 1987/88,
«Against the Modern World» - título
evocativo da obra do filósofo e ensaísta italiano
Julius Evola, «Rivolta Contra il Mondo
Moderno» - por uma preterição
voluntária de meios de produção e
elaboração musical intimamente ligados à
música dita 'moderna' (como o uso de guitarras
eléctricas ou de sintetizadores) -, optando antes pela
busca de uma deliberada crueza melódica e rítmica,
assente na predominância de canções e no
recurso sistemático [como fonte de inspiração
primordial] a um foro musical enraizado no Folklore
Inglês, Irlandês e Norte-Europeu, encetando as
linhas mestras de um estilo melódico, cuja nudez de aparato
poderia sugerir a presença de um Woodie Guthrie ou
mesmo de um Leonard Cohen numa espécie de
Renascimento [Neo-] Pagão.
O segundo registo discográfico de SOL INVICTUS,
«In the Jaws of the Serpent» - album captado
ao vivo, em concerto no Loft Club de Tokio, Japão, em
19 de Dezembro de 1988, e editado no ano seguinte - apenas
confirmaria o ensejo insinuado em «Against the Modern
World», colocando o ouvinte mais exigente perante
uma consumada e (aparentemente) irreversível falta de
apetência pelo virtuosismo ou pelo 'bom gosto', apresentando
e reiterando a figura de SOL INVICTUS como um grupo
liminarmente desprovido de arrojos ou de lapsos de
sofisticação, antes buscando uma sonoridade
declaradamente 'rude' na sua mais elementar pureza
melódico-acústica, que encontra em temas como
«Abattoirs of Love», «Gold is King»,
«Raven Chorus» ou «Somewhere in Europe»
genuínos esboços de hinos bárbaros ou
cânticos de embalar.
Em 1989, Wakeford escreve, compõe e edita o seu terceiro
disco de originais sob a designação de SOL
INVICTUS, o album «Lex Talionis», que
constituia 1/3 de uma edição conjunta de três
discos em vinil apresentados numa embalagem cuidadosamente
concebida, onde o lugar era partilhado com CURRENT 93 e
NURSE WITH WOUND [nome fetisch eleito por
Steven Stapleton para exposição das suas
obras], e já aqui, Wakeford ensaia com uma maior dose
de àvontade que nos dois trabalhos anteriores, alguns
arremessos de orquestrações para pequenos ensembles
de cordas, que, posteriormente, caracterizariam inconfundivelmente
a generalidade dos trabalhos de SOL INVICTUS e mais
recentemente da L'ORCHÈSTRE NOIR. Mas ainda em
«Lex Talionis», a crescente paixão de Tony
Wakeford pelos arranjos de cordas - cuja inspiração
busca fontes tão variadas como a música medieval,
o Barroco ou a música Maneirista, assim como o génio
contemporâneo de um Ennio Morricone ou de um
Bernard Herrmann - se manifestava apenas nalguns
tímidos trechos elaborados para um violino ou um violoncelo,
permanecendo o formato da canção folk para
guitarra acústica, tambores e voz, como puressência
do estilo Wakeford/SOL INVICTUS.
Com «Trees In Winter», album de 1990, e seu
duplo, o CD «The Killing Tide», de 1991,
Tony Wakeford afirma abertamente de vez o seu desejo de
inclusão de orquestrações nas suas
canções - ainda que primando genericamente por
uma desprendida simplicidade, por vezes evitando mesmo
desapegar-se de uma base declaradamente minimalista -, figurando
temas como «Like a Sword», «In A Silent
Place», «Our Lady Of the Missing Presumed Dead»
ou «Figures On A Beach», como elegantes investidas
pela estética épica, orquestrada, que assume o
teor definitivo da obra do compositor - levada ao seu maior
apuro com a L'ORCHÈSTRE NOIR -, já
então acompanhado pelos inestimáveis
préstimos da violinista Sarah Bradshaw e do
pianista David Mellor.
Mas é em «King & Queen» (1992) e
«In The Rain» (1995), quinto e sexto albuns
de originais de SOL INVICTUS, respectivamente, que a
música de Tony Wakeford adquire, ao nível da
sublimação de uma dimensão orquestral, o seu
mais elevado grau de maturidade, sendo temas como «Europa In
the Rain [I e II]», «Stay» ou «In Days
to Come» incontornáveis exemplos da fuga engalopada
de um estilo 'popular' para um gosto que se possa qualificar de
'erudito', abstendo-se sempre, contudo, de fazer aquilo que
permanece como canções, cair no desalinho de uma
pop sinfonizada, embutida em pretensões ou desajustes de
estilo que certamente comprometeriam a continuidade e a
pertinência de uma obra que sempre fez da pureza de ideal
o seu estandarte - ainda que admitindo [e fá-lo Wakeford
com genuína humildade «...Here stands the
fool.», entoa ele mesmo no refrão de uma das suas
canções mais celebradas] o inevitável
libelo de 'patético' que tal postura possa acusar.
E é precisamente em «In The Rain»,
que a formação do grupo SOL INVICTUS conta,
pela primeira vez, com a presença do trompetista e
director de orquestra Eric Roger, figura que assume,
desde esse ano de 1995, papel de particular destaque entre as
personalidades que apoiam e prestam contributo junto de Tony
Wakeford, e, a par de Roger, Wakeford recruta ainda os violinistas
Matt Howden, Nathalie Van Keymeulem, Céline
Marleix-Bardeau, bem como a flautista Sally Doherty e
o percussionista Stephen Catchick, lançando com este
ensemble a plataforma do que se tornaria, a breve trecho,
na L'ORCHÈSTRE NOIR, fazendo o mesmo as suas
primeiras aparições públicas ainda como
SOL INVICTUS, em concertos realizados em diversos lugares
da Europa e, em particular, juntando-se esta orquestra para uma
interpretação renovada da obra de Tony Wakeford,
numa sessão gravada nos estúdios da Rádio
Nacional Holandesa em Amsterdão, a 16 de Março de
1996, e transmitida ao vivo nessa data por esta mesma emissora.
Desta última empresa resultaria a edição
do CD «In Europa», brilhante
captação ao vivo do ensemble ainda sob a
designação SOL INVICTUS, em 1998.
Mas é na pequena vila de Nevers, França, país
que entretanto acolhe o próprio Wakeford, onde o mesmo,
em 1996, estabelece residência, que nesce a
L'ORCHÈSTRE NOIR, dirigida por Eric Roger, iniciando
a sua actividade numa série de gravações
para uma reinvenção geral da obra do colectivo
SOL INVICTUS, primeiro, e ainda para a
concepção de arranjos para aquele que seria o segundo
disco 'a solo' de Wakeford, «Cupid & Death»,
de 1997, sucedendo ao mais efémero «La
Croix», de 1993. E é, ainda corria o ano de 1996,
que a L'ORCHÈSTRE NOIR, regista a sua primeira
edição com a mesma designação, o
CD «Cantos» - título inspirado na
poesia de Ezra Pound, aliás, uma das figuras
do século XX da predileção de Tony Wakeford
- que curiosamente, contém, como que 'escondidas', mesmo
no desfecho do registo, duas inesperadas e todavia
magníficas reinterpretações de dois dos mais
celebrados temas compostos por Tony Wakeford, ainda em 1982, para
o grupo DEATH IN JUNE, os 'hinos' «Nothing
Changes» - do album «The Guilty Have No
Pride» e «Fields» - de
«Burial».
É, contudo no seu segundo album, singelamente intitulado
«11», de 1999, que a L'ORCHÈSTRE
NOIR se afirma definitivamente como legado maior do
empenho criativo de Tony Wakeford e como apoteose de uma
carreira coroada de momentos de inimitável
exuberância e fulgor.
Escrito, gravado e editado coincidentemente com o auge dos
dramáticos conflitos balcânicos deste final do
século e milénio - «11»
vê a luz do dia enquanto edição
discográfica precisamente escassos dois meses antes do
deflagrar da guerra no Kosovo que marca a primeira
intervenção da N.A.T.O. num conflito armado
em plena Europa, com todas as consequências
históricas, políticas, sociais e culturais
que daí se pretenda deduzir - e Tony Wakeford, desde
sempre trovador e arauto de uma inequívoca mensagem
de esperança e de unidade para a Europa e seus povos,
lembra o valor da diversidade, da comunhão de culturas
e de entendimentos e da paz como única fórmula
para edificação de um futuro digno e humano.
Alinhando um extraordinário leque de temas distendidos
numa linha contínua de cariz operático,
brilhantemente orquestrados pelo seu amigo e colaborador
Eric Roger, que aqui desempenha ainda as funções
de director de orquestra, Tony Wakeford dá o mote como
assente em «11», citando, acerca dos absurdos
da guerra, da intolerância em todas as suas formas e
do fanatismo ideológico, autores de correntes de pensamento
tão equidistantes como Rosa Luxembourg, Ezra
Pound ou Albert Camus, e afirmando tenazmente o seu
credo numa nova idade de luz e esperaça para a Europa
unindo a sua própria voz, no tema - desfecho da obra,
intitulado «Eleven-Dusk», a um coro de crianças,
o CHILDREN OF THE SEVEN PINES CHOIR, pois como afirma
o autor do texto introdutório de «11»,
Larcade Rosen: «Wakeford is aware that it may sound
trite, but children are the true future, the only Europe has,
and the use of children's choir expresses his hope for the
future of Europe.».
Já na fase final do ano de 1999 surge «In A
Garden Green», último trabalho de Wakeford,
sob o nome de SOL INVICTUS. O trabalho alia toda a
experiência adquirida no projecto L'ORCHÈSTRE
NOIR a um certo voltar as origens, aliando nos temas
uma rara simplicidade e beleza com composições
de uma grandiosidade inequívoca, temas como
«Come The Morning», «O Rubor Sanguinis»
ou o tema que dá título ao trabalho
«In A Garden Green».
É precisamente «In A Garden Green» que
dá o mote para uma digressão da qual contam
países como os Estados Unidos, França,
Reino Unido, Alemanha e Portugal.
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Última actualização: Quinta-feira, 16 de Março de 2000